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Ignacy Sachs discute desafios e caminhos para o desenvolvimento

O economista franco-polonês Ignacy Sachs está no Brasil para uma série de eventos e debates relacionados a desenvolvimento sustentável e aos desafios e perspectivas do Estado brasileiro diante da crise. Diretor do Centro de Estudos sobre o Brasil Contemporâneo, na França, e consultor do Programa Territórios da Cidadania, contratado pelo Núcleo de Estudos Agrários e Desenvolvimento Rural (NEAD) do Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA), Sachs também participou, nos últimos dias, de reunião com o ministro do Desenvolvimento Agrário, Guilherme Cassel, além de encontro com integrantes de órgãos do MDA, e da 35ª Reunião do Conselho Nacional de Desenvolvimento Rural Sustentável (Condraf).

Na Reunião do Condraf, ocorrida nos dias 17 e 18 de março, em Brasília, Ignacy Sachs foi expositor no painel “O papel do Rural no desenvolvimento nacional”, que também teve a participação de Nelson Delgado, professor do Programa de Pós-Graduação em Desenvolvimento, Agricultura e Sociedade, da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (CPDA/UFRRJ); Renato Maluf, professor do CPDA e presidente do Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (Consea); e de João Torrens, sociólogo e membro do Condraf.

Confira, abaixo, a opinião de Ignacy Sachs sobre alguns dos principais temas em debate nas agendas nacional e mundial:

A saída “por cima da crise”

“Está claro que temos que aproveitar a crise mundial para mudar de rumo. Devemos encontrar políticas que levem o Brasil a encontrar uma saída por cima da crise atual. Nesse contexto, o Programa Territórios da Cidadania passa a ter uma importância maior, porque questões como desemprego, renda, a população que está na parte mais baixa da pirâmide social, tornam-se questões centrais nessa busca. Um tema que me parece extremamente atual é o cruzamento dos Territórios da Cidadania com o PAC – Programa de Aceleração do Crescimento – no sentido de capacitar e empregar, nas grandes obras públicas que atravessam os Territórios da Cidadania, o pessoal local. Gostaria de dar um passo a mais e imaginar uma série de ‘irmãos caçulas’ para o PAC, ou seja, programas e obras públicas de caráter local como um dos eixos dos Territórios da Cidadania. Posso citar a construção e manutenção de estradas vicinais, moradias populares, manutenção do patrimônio existente em prédios públicos, em escolas públicas, e o manejo de água, açudes, canais de irrigação, ou seja, toda uma agenda verde, que envolva a conservação das bacias hidrográficas, florestas etc. Essa área poderia ser acrescentada ao PAC, com novos eixos, ‘caçulas’, e isso não se aplica apenas aos problemas das áreas rurais, pode servir também para as áreas metropolitanas.”

Crise ambiental

“É necessária a mudança da matriz energética mundial e isso não se resume ao aumento na produção de biocombustíveis, exige mudança no perfil de utilização e consumo, para conseguirmos maior eficiência no uso da energia. Países como o Brasil têm um gigantesco potencial em energia da biomassa a ser aproveitado. Podemos imaginar uma biocivilização para o futuro, na qual os países tropicais terão papel de destaque.”

Desenvolvimento rural

“Temos a obrigação de pensar um novo ciclo de desenvolvimento rural e a agricultura familiar tem grande importância nisso, levando em conta a pluriatividade e o desenvolvimento rural não-agrícola. Cabe ao Estado pôr em prática um feixe de políticas públicas que promovam acesso à terra; capacitem; promovam assistência técnica permanente; promovam a construção social dos mercados e todas as formas de empreendedorismo coletivo. Quando conseguirmos tudo isso, teremos um processo sustentado, um modelo de desenvolvimento includente e ambientalmente sustentável.”

Desafios dos Territórios da Cidadania

“Deve ser gerado um processo de pensamento endógeno para aproveitarmos potenciais existentes nos Territórios. O diálogo local-nacional ainda está distante, mas temos que buscá-lo e ele deve ser permanente. Alguns eixos são essenciais para o desenvolvimento do Programa: transformar os assentamentos rurais em ‘locomotivas’ do processo de desenvolvimento territorial local; reforçar a colaboração e dar direcionamento à rede de tecnologias sociais, incentivando a pesquisa para produzir as tecnologias que precisamos; agilizar o trabalho das redes de extensão tecnológica e rural por meio de agentes de desenvolvimento local. Projetos de inclusão digital podem contribuir muito nesse eixo, como o Territórios Digitais, por exemplo. O rumo que deve tomar a extensão rural no país, o papel que os centros de inclusão digital podem desempenhar nisso e a questão da formação de agentes de desenvolvimento local onde há interesses convergentes do Programa Territórios da Cidadania, e de programas de outras instituições, são temáticas interessantes para continuarmos o debate. Temos muito trabalho a fazer!”

Fotos: Ubirajara Machado/MDA

Fonte: NEAD.

Agenda
12/05/2010
Porto Alegre, Brasil
Congresso Internacional sobre Turismo Rural e Desenvolvimento Sustentável
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23/09/2009
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Sustentabilidade local é foco de iniciativa portuguesa
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06/07/2009
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