Sistemas agroflorestais são alternativa para áreas degradadas
Os cientistas estão convencidos de que a degradação da Amazônia pode se tornar um caminho sem volta se medidas emergenciais não forem tomadas para conter as queimadas e a conversão da floresta em plantios agrícolas ou pastagens. O cenário é preocupante, sim, mas ainda há tempo. Pelo menos é o que revelam estudos realizados por cientistas do Experimento de Grande Escala da Biosfera-Atmosfera na Amazônia – Programa LBA, coordenado pelo Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa).
<P>Experiência realizada pelo Inpa e pela Embrapa nos estados do Pará - que tem a maior área desmatada em termos absolutos - e no Amazonas - que figura como o mais preservado -, mostrou que é possível recuperar parte da degradação utilizando sistemas de plantio sem queima e sistemas agroflorestais implantados em áreas abandonadas ou degradadas. No caso do estado do Amazonas, isso foi demonstrado pelo projeto "Ciclos biogeoquímicos em agroflorestas na Amazônia", desenvolvido em colaboração com a Embrapa Amazônia Ocidental e a Universidade Cornell, dos Estados Unidos.
<P>Um sistema agroflorestal consiste no plantio consorciado e cultivo de espécies nativas de fruteiras e árvores madeireiras, que, nos primeiros anos, crescem junto a cultivos agrícolas de ciclo curto, como arroz, feijão, milho ou mandioca. Ou seja, os pesquisadores "reconstroem" a mata, só que utilizando também espécies anuais e perenes de alto valor econômico. Com o sistema é possível obter colheitas sucessivas de diversos produtos ao longo do tempo, o que, para os cientistas, significa novos caminhos para o desenvolvimento sustentável da região.
<P>"Os sistemas agroflorestais estudados mostraram-se eficientes para reutilização de áreas abandonadas e/ou degradadas na Amazônia, recuperando não apenas a capacidade produtiva da terra, com a produção de alimentos e madeira, mas também vários dos serviços ambientais do ecossistema, como, por exemplo, a reciclagem de água e nutrientes", explica o pesquisador Flávio Luizão, do LBA/Inpa.
<P><em>Matéria publicada originalmente na página do Núcleo de Estudos Agrários e Desenvolvimento Rural (www.nead.org.br)
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