Um projeto desenvolvido no município gaúcho de São Francisco de Assis, a 500 quilômetros de Porto Alegre, criou uma incubadora de cooperativas administradas por jovens de 18 a 24 anos e mulheres que recebem o Bolsa Família, do governo federal brasileiro. A primeira associação apoiada pela iniciativa planeja gerar pelo menos R$ 150 para cada participante por meio da venda de roupas e de produtos artesanais feitos de couro, papel reciclado e madeira.
A atividade, chamada de Incubadora Popular na Querência do Bugio — em referência ao nome pelo qual é conhecida São Francisco de Assis —, é desenvolvida pela Universidade Regional Integrada do Alto Uruguai e Missões. Ela foi lançada em março de 2006, oferecendo capacitações.
“A Secretaria de Desenvolvimento Social [da prefeitura], parceira da iniciativa, chamou as pessoas que recebem o Bolsa Família e jovens em situação de vulnerabilidade social”, conta a coordenadora do projeto, Simone Bochi Dorneles, professora da universidade. “No começo, poucas pessoas vieram, porque tinham medo de perder o benefício. Mas, depois de uma sensibilização feita pelos agentes de saúde, que conhecem bem a região, umas 100 pessoas começaram a participar”, acrescenta.
No início, foi feito um levantamento das habilidades dos participantes e, a partir disso, definiu-se que seriam oferecidos cursos de artesanato em couro e papel reciclado, de marcenaria e de corte e costura. As atividades começaram a ser oferecidas em julho, com o grupo dividido em turmas de 35 alunos. “Com o tempo, foi-se fazendo uma seleção natural, e só ficaram realmente as pessoas que tinham interesse”, conta a coordenadora. Permaneceram 40 jovens e mulheres, que já começaram a produzir caixas, luminárias, artigos de decoração e pastas de couro para a venda. Cada participante recebe, em média, R$ 50 por mês. “A nossa meta é chegar a R$150”, diz Simone.
Para este ano, estão programados também cursos de gestão de vendas, controle financeiro, marketing e produção. As aulas serão dadas pelos professores da própria universidade, com a monitoria de alunos de Administração, Ciências Contábeis, Psicologia e Arquitetura (que ajudam no design dos produtos). A cooperativa funcionará com a orientação da instituição de ensino até o final deste ano. “A idéia é que eles caminhem por conta própria, mas a responsabilidade da universidade não termina nunca, a gente vai dar assistência no que eles precisarem”, afirma Simone.
Em 2008, a associação mudará para uma sede própria — atualmente está em uma sala cedida pela prefeitura. Depois, outro grupo será escolhido e incentivado a criar uma nova cooperativa. “O projeto é importante, porque é direcionado a pessoas que não tinham perspectiva, trabalhavam em casa de família ganhando muito pouco ou eram desempregadas. Eles aprenderam a trabalhar com couro, madeira. Tiveram a auto-estima elevada e uma possibilidade de gerar renda”, diz a coordenadora.
O projeto é apoiado pelo Ministério de Desenvolvimento Social e pelo PNUD, por meio do Programa de Inclusão Produtiva de Jovens, que selecionou, em maio do ano passado, 38 projetos de instituições de ensino superior para implementar atividades voltadas à geração de emprego para jovens de baixa renda. A incubadora recebeu R$ 70 mil para comprar equipamentos, como máquinas de costura, liquidificador, centrífuga, prensa, serra para marcenaria e computador.
Por Talita Bedinelli, da PrimaPagina. Matéria publicada originalmente no site do Pnud ( www.pnud.org.br).