Moçambique, considerado pela ONU um dos 50 países menos desenvolvidos do mundo, cresceu a taxas comparáveis às de China e Índia nos últimos anos — em média, 8,5% ao ano entre 1996 e 2004. Essa expansão econômica reduziu a miséria em 15,3%, de 69% para 54% da população, e contribuiu para a melhoria dos indicadores que compõem o IDH (Índice de Desenvolvimento Humano). Entre 2000 e 2004, a expectativa de vida subiu de 44,3 para 46,7 anos; a proporção de crianças matriculadas na escola aumentou 7,6% e o PIB (Produto Interno Bruto) per capita cresceu 65%, de US$ 996,30 para US$ 1.640,60.
Os dados são do Relatório de Desenvolvimento Humano 2005 de Moçambique, intitulado “Desenvolvimento Humano até 2015: Atingindo os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio", lançado na semana passada pelo escritório do PNUD no país. O estudo analisa a evolução dos indicadores sociais moçambicanos e faz algumas recomendações para que o governo consiga converter o crescimento econômico em progressos em áreas como renda, saúde, educação e reforma agrária.
Entre os avanços apontados pelo relatório está o progresso de Moçambique no IDH. O país, que em 2000 tinha um índice de 0,366, chegou a 0,428 em 2004, ficando mais próximo de ultrapassar a marca dos países de baixo desenvolvimento humano (IDH inferior a 0,500). O indicador varia de 0 a 1. Os dados do mais recente relatório mundial colocam a Noruega no topo do ranking (com 0,963) e Níger em último lugar (0,281).
Em Moçambique, o avanço nos indicadores de educação e longevidade se deveu principalmente à ampliação da rede pública de ensino, às aulas de alfabetização de adultos e à queda de mortalidade infantil.
Para garantir a continuidade desses progressos, o estudo sugere que o governo mantenha o equilíbrio entre estabilidade macroeconômica e crescimento do PIB; aumente os investimentos intersetoriais no combate a doenças endêmicas como a Aids, a malária e a tuberculose; e fomente a criação de parcerias entre o poder público e o setor privado. Além disso, propõe que o país “reveja” a estratégia de desenvolvimento agrário na distribuição do orçamento, “levando em conta a importância da agricultura na economia e na nutrição da maioria dos moçambicanos”, segundo o texto de divulgação do relatório.
Um estudo sobre os 50 países menos desenvolvidos do mundo lançado em julho pela UNCTAD (Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento, na sigla em inglês), mostra que, embora 80% da população economicamente ativa (PEA) de Moçambique esteja voltada à agricultura, o setor contribui com apenas 26,1% do PIB. O relatório ainda aponta, por exemplo, que o percentual de adultos com HIV (12,2%) é mais que o dobro da proporção da população com acesso a energia elétrica (6%).
Fonte: Pnud